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Com que roupa eu vou? GTA V

Quinta-feira, Outubro 17th, 2013

Quero me desculpar pela demora desse post novo, mas as semanas que se passaram foram de muito trabalho, pois aconteceram alguns eventos de moda aqui em Belo Horizonte.

Já que estão todos enlouquecidos com o novo GTA resolvi dar uma olhadinha no jogo para trazer para o blog. Confesso que não sou boa jogadora de GTA então as informações que estão aqui foram baseadas na observação do meu filho e meu irmão jogando e nas conversas com meu amigo Thiago Augusto.

GTA 5

GTA V, traz três personagens jogáveis e protagonistas da trama. Trevor Philips é um canadense, ex-piloto, que vive em um trailer num deserto americano, que adora ficar bêbado; vive somente pelo presente sem medo da morte, sem nada a perder (um personagem muito divertido, aliás). Parece ser daquelas pessoas que vestem a primeira coisa que vê pela frente e sai pra rua. Quase isso. Trevor se veste num estilo mais básico, calça jeans, blusa de malha e, as vezes, com camisa xadrez aberta por cima. Trajes comuns que o fazem parecer de qualquer lugar e de lugar nenhum, jeito confortável de se vestir, pronto para qualquer loucura que ele queira fazer.

Trevor GTA5

Franklin Clinton é um negro dos subúrbios dos EUA, faz alguns trabalhos para uma gang mas tem a pretensão de sair dessa vida. Essa vontade de mudança fica explícita até no modo como Franklin se veste, ele se destaca dos outros moradores do bairro por ter um estilo “rapper” menos carregado e mais próximo do estilo “branco americano” de se vestir.

franklin gta5

Michael De Santa já é um homem de meia idade e com certo “conforto” financeiro. Tem uma bela casa, uma bela mulher (mesmo que adúltera), e por isso mesmo tem um estilo menos casual.

Pelo que entendi até agora do jogo não dá para você ficar trocando o estilo de vestuário dos personagens apesar de conseguir trocar de roupas.

Mas não foi o estilo dos nossos protagonistas o que mais me chamou a atenção no jogo. Enquanto meu filho jogava, bem lá no início mesmo, Michael precisou ir roubar um joalheria. Meu filho estava com o personagem vestido de bermuda e todo a vontade, mas ele foi barrado. O homem, que comandava a operação pediu para que ele voltasse para casa e se vestisse de maneira mais elegante para poder passar por cliente da loja.

preparação para o assalto

E fiquei pensando que até mesmo no jogo temos uma “etiqueta” para nos vestirmos em determinadas situações.  Mas para que isso mesmo? Bom, em linhas gerais, esse modo de conduta permite distinguir facilmente uma pessoa e a ocasião em que ela se encontra através da roupa.

Quando alguém te convida para um baile de formatura e tem no convite traje esporte fino ou passeio, você sabe exatamente o que esperar da festa né? Ninguém pensou numa laje, pagode e churrasco com vinagrete (adoro churrasco com vinagrete!).

De fato, é possível, muitas vezes, identificar a classe social, a religião, conduta política, interesses e diversas outras características das pessoas ao observarmos seus guarda-roupas.  E que mensagem estará você passando aos outros?  Já pensou como vai sair de casa hoje?

personagens

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Que Mário?

Domingo, Setembro 22nd, 2013

Alguns amigos me pediram para escrever sobre o personagem que, talvez seja o mais popular da história dos games, Mario. Confesso que, no início, a ideia não me atraiu muito, pois o figurino desse personagem foi construído baseando-se nas possibilidades técnicas da época.

evolução do mario

Muitos já devem saber que Mário foi criado por Shigeru Miyamoto, para o jogo Donkey Kong em 1981. Sua tarefa era resgatar a princesa sequestrada pelo grande gorila (já viu essa história em King Kong?).

donkey kong 1981

Na época havia poucos recursos tecnológicos para construir um personagem detalhado, então Miyamoto resolveu essa questão colocando um bigode e um nariz enormes, além de um boné. Assim não precisava se preocupar em fazer as feições do rosto nem os cabelos.  Para diferenciar os braços do resto do corpo ele criou um macacão vermelho com uma camisa azul por baixo.

mario 1981

A princesa Peach, ao meu ver, segue bem os moldes de princesas Disney. Com seu vestido rosa acinturado, ao estilo Maria Antonieta, destacando sua feminilidade e toda a doçura e bondade que uma princesa de contos de fada deve ter. Mas o seu figurino é um pouco mais elaborado que o de Mário. Se você fechar os olhos e imaginar uma princesa certamente vai acertar quase tudo que o figurino dessa personagem possui: mangas bufantes, luvas brancas até a altura dos cotovelos, panniers destacando a cintura, além de ostentar um grande broche azul e seus brincos que a revelam como parte de uma nobreza capaz de usar jóias.

peach              Princesa Peach

Mário e Peach repetem a velha história da donzela em perigo que precisa ser resgatada. Velha história que iniciou com o amor cortês e foi um marco do comportamento humano e consequentemente influenciou a moda.

O amor cortês emergiu com a poesia trovadoresca, e definiu um conceito de atitudes e mitos na época medieval, mas o termo somente foi usado pela primeira vez por Gaston Paris em um artigo escrito em 1883. Existe um homem que ama que se entrega de alma e corpo para garantir a segurança e os desejos da mulher, alvo desse intenso amor, vista como mais bela e perfeita que todas as outras mulheres do mundo. Geralmente esse amor não pode ser consumado por algum empecilho, que o herói deve, a todo custo, derrubar para ter a companhia de sua amada.

amor cortes

Mas o que isso influencia nos trajes da época? Tudo! Homens e mulheres tornaram suas vestes mais sofisticadas pois agora elas são elementos estéticos de sedução. É nesse momento que as pessoas compreendem a linguagem que as roupas podem ter. Muitos autores acreditam que foi exatamente nesse momento de diferenciação e individualização dos seres que a moda nasceu.

E é essa linguagem que vem sendo objeto de estudo meu e desse blog 😉

amor cortes 2

PS: se você também gostaria de sugerir um personagem para o blog, me envie um email: ribjuliana@gmail.com ou nos falamos no facebook. 😉

Fashion Fantasy – Virada Cultura BH 2013

Domingo, Setembro 15th, 2013

Ontem e hoje está acontecendo em Belo Horizonte a primeira Virada Cultural.

Eu (Juliana Ribeiro, estudante de Design de Moda na UFMG) e Rafael de Paula (estudante de Design Gráfico na UEMG) marcamos presença com uma exposição de figurinos inspiradas em alguns clássicos jogos de Atari.

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O tempo foi bem corrido… duas semanas para fazer tudo, mas o resultado ficou muito legal e valeu pela experiência de participar de uma exposição a céu aberto.

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Para essa exposição nos inspiramos nos jogos: River Raid,

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Frostbite (era viciada nesse jogo 😉 ),

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Boxing,

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e Enduro! (nunca consegui nem um troféu desse 😦  )

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A exposição ficará na Praça da Liberdade até hoje as 17 horas!

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Quero agradecer às pessoas que deram uma grande força: Caio Rodrigues, Alex Queiroz e Aline Voisk. Obrigada gente!!!

Elizabeth – Bioshock Infinite

Domingo, Setembro 1st, 2013

Bioschock Infinite é um jogo em primeira pessoa que se passa na cidade flutuante de Columbia. Nunca joguei nenhum outro da série mas fiquei completamente envolvida pelo complexo enredo deste aqui. É como aquela sessão de cinema que acaba mas você fica todo o trajeto de volta pra casa (e talvez nos dias que se seguem também) só pensando nas cenas na tentativa de apreender todas as informações e acontecimentos.

Columbia é uma cidade linda, com suas ruas impecavelmente limpas, seu sistema de transporte via Sky-lines e suas praças, embora por traz disso tudo estejam as relações fundamentadas no racismo e na superioridade do homem branco. Esteticamente falando o universo de Bioschock Infinite se assemelha à ficção especulativa do Steampunk.

cidade de columbia

O steampunk ficou conhecido no final dos anos 80 e início dos 90 (lembrar dos filmes “De Volta para o Futuro III”, “O Enigma da Pirâmide”, “Frankenstein de Mary Shelley”) porém sua origem é associada às obras do século XIX de Julio Verne, Mary Shelley entre outros. Geralmente a ficção steampunk se ambienta em épocas passadas como a era vitoriana (século XIX) mas com uma tecnologia mecânica e à vapor muito mais evoluída para o tempo. Nesse contexto seria possível existir, em pleno século XIX, dirigíveis voando pelos céus, um sistema de transporte a vapor que fosse conduzido por trilhos flutuantes, uma cidade inteira mantida no céu, um pássaro robô (Songbird) entre outras coisas possíveis de serem contempladas em Columbia.

Dentro de todo esse cenário está Elizabeth, peça (personagem) fundamental em torno da qual o jogo se desenvolve. Ela é a grande companheira do protagonista, Dewitt, ajudando-o nas horas mais difíceis e dialogando com ele durante todo o percurso. É através dela e suas infinitas questões que podemos entender um pouco sobre Dewitt e o enredo do jogo.

primeiro traje de elizabeth

Mas vamos ao que interessa, o figurino de Elizabeth! A costume designer, Claire Hummel o criou seguindo essa linha de raciocínio da ficção steampunk, baseando-se no guarda roupa da era vitoriana e pós eduardino, nos quais, as mulheres tinham suas cinturas finas e bem demarcadas pelo uso de espartilho (usado por baixo das roupas).  O tipo de tecido e decoração da veste variava de acordo com o status social da mulher.

sketch Elizabeth

Elizabeth aparece no jogo com dois figurinos diferentes. No primeiro ela está com uma saia azul (cor muito presente na era vitoriana) que marca bem sua fina cintura, com pregas presas por tiras de tecido com rebites de metal ao estilo steampunk. Sua camisa de botões, com gola azul e detalhes dourados revelam que Elizabeth não é uma garota de classe inferior, assim como, a expõe como mulher vulnerável e recatada que precisa ser protegida.

traje 1 de elizabeth

Quando Elizabeth resolve tomar uma postura mais atuante na trama para fugir de Columbia, ela muda seu figurino. O azul vitoriano ainda está presente, espartilho fica exposto deixando de lado o recato e, até seus sapatos agora, mostram uma situação de status superior (afinal toda essa vestimenta foi tirada do guarda-roupa da falecida primeira dama de Columbia).

segundo traje de elizabeth

Vale muito a pena jogar e se envolver nesse universo, não só pela beleza estética mas também pela fascinante história.

Ezio Auditore da Firenze

Domingo, Agosto 25th, 2013

Poderia passar vários dias escrevendo sobre cada figurino presente em Assassin´s Creed, são muitos e cheios de detalhes interessantes. Mas resolvi fazer um paralelo entre o figurino de Ezio Auditore da Firenze, protagonista de maior parte da série, e a realidade do vestuário usado no período do renascimento, momento em que se passa a história do jogo.

O período do renascimento foi uma transição entre a idade média (teocêntrica) e a idade moderna (antropocêntrica). O homem deixou de acreditar em explicações exclusivamente religiosas para ter uma visão mais científica dos acontecimentos. A Itália, mais precisamente a região de Florença desenvolveu-se bastante devido ao grande crescimento urbano e comercial. Além de ter a família Médici, que faz uma participação no jogo, como grande patrocinadora das artes locais.

A princípio pensei que a roupa de Ezio nada tinha a ver com as vestes retratadas nas pinturas da época. Mas é possível ver alguns elementos em comum e é essa comparação que farei nesse post.

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Obviamente, o figurino de Ezio foi “atualizado” para o nosso padrão estético atual. Imagina nosso assassino pulando os prédios atrás de suas vítimas vestindo meias finas e coloridas que eram tão comuns na época.

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Basicamente, a indumentária de um nobre no período da renascença (lembrar que Ezio não era nenhum plebeu), consistia em um gibão, uma espécie de colete feito com tecidos caros que ficava, muitas vezes, por cima de uma camisa com mangas bufantes e amarrados na cintura. Usavam capa ou um casaco por cima e que ficava solto. O uso de chapéus também era bastante comum. Ainda havia uma bermuda que trazia alguns rasgos (talhadas) para que fosse possível ver o tecido do forro.  E, para completar, um code piece, uma espécie de tapa sexo, que era usado para ressaltar esta parte do corpo e guardar pequenos objetos como moedas.

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Olhando Ezio podemos ver a maioria desses elementos na sua indumentária. O colete ou gibão, amarrado na cintura por um grande cinto que ostenta o símbolo dos assassinos. Ele também usa uma capa, que no jogo lhe é dada pelo próprio Lorenzo de Médici. Tudo isso por cima de uma camisa com mangas soltas e bufantes por baixo. O capuz com um bico de águia, presente em todos os personagens assassinos, representa a visão e perspicácia que eles devem ter para alcançar suas presas mas, aqui, também faz o papel do chapéu. Ezio veste uma calça e não uma bermuda mas as talhadas são indicadas na sua manga esquerda e no corpo de seu colete.

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Achei o trabalho de figurino desse personagem muito bom, conseguiu reunir elementos presentes em uma época e fazer algo completamente não datado. É uma roupa linda! E o melhor é que em algumas sequencias ainda dá para brincar de trocar de cores, adquirindo nas lojas que estão espalhadas pelas cidades.