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Elizabeth – Bioshock Infinite

Domingo, Setembro 1st, 2013

Bioschock Infinite é um jogo em primeira pessoa que se passa na cidade flutuante de Columbia. Nunca joguei nenhum outro da série mas fiquei completamente envolvida pelo complexo enredo deste aqui. É como aquela sessão de cinema que acaba mas você fica todo o trajeto de volta pra casa (e talvez nos dias que se seguem também) só pensando nas cenas na tentativa de apreender todas as informações e acontecimentos.

Columbia é uma cidade linda, com suas ruas impecavelmente limpas, seu sistema de transporte via Sky-lines e suas praças, embora por traz disso tudo estejam as relações fundamentadas no racismo e na superioridade do homem branco. Esteticamente falando o universo de Bioschock Infinite se assemelha à ficção especulativa do Steampunk.

cidade de columbia

O steampunk ficou conhecido no final dos anos 80 e início dos 90 (lembrar dos filmes “De Volta para o Futuro III”, “O Enigma da Pirâmide”, “Frankenstein de Mary Shelley”) porém sua origem é associada às obras do século XIX de Julio Verne, Mary Shelley entre outros. Geralmente a ficção steampunk se ambienta em épocas passadas como a era vitoriana (século XIX) mas com uma tecnologia mecânica e à vapor muito mais evoluída para o tempo. Nesse contexto seria possível existir, em pleno século XIX, dirigíveis voando pelos céus, um sistema de transporte a vapor que fosse conduzido por trilhos flutuantes, uma cidade inteira mantida no céu, um pássaro robô (Songbird) entre outras coisas possíveis de serem contempladas em Columbia.

Dentro de todo esse cenário está Elizabeth, peça (personagem) fundamental em torno da qual o jogo se desenvolve. Ela é a grande companheira do protagonista, Dewitt, ajudando-o nas horas mais difíceis e dialogando com ele durante todo o percurso. É através dela e suas infinitas questões que podemos entender um pouco sobre Dewitt e o enredo do jogo.

primeiro traje de elizabeth

Mas vamos ao que interessa, o figurino de Elizabeth! A costume designer, Claire Hummel o criou seguindo essa linha de raciocínio da ficção steampunk, baseando-se no guarda roupa da era vitoriana e pós eduardino, nos quais, as mulheres tinham suas cinturas finas e bem demarcadas pelo uso de espartilho (usado por baixo das roupas).  O tipo de tecido e decoração da veste variava de acordo com o status social da mulher.

sketch Elizabeth

Elizabeth aparece no jogo com dois figurinos diferentes. No primeiro ela está com uma saia azul (cor muito presente na era vitoriana) que marca bem sua fina cintura, com pregas presas por tiras de tecido com rebites de metal ao estilo steampunk. Sua camisa de botões, com gola azul e detalhes dourados revelam que Elizabeth não é uma garota de classe inferior, assim como, a expõe como mulher vulnerável e recatada que precisa ser protegida.

traje 1 de elizabeth

Quando Elizabeth resolve tomar uma postura mais atuante na trama para fugir de Columbia, ela muda seu figurino. O azul vitoriano ainda está presente, espartilho fica exposto deixando de lado o recato e, até seus sapatos agora, mostram uma situação de status superior (afinal toda essa vestimenta foi tirada do guarda-roupa da falecida primeira dama de Columbia).

segundo traje de elizabeth

Vale muito a pena jogar e se envolver nesse universo, não só pela beleza estética mas também pela fascinante história.

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Ezio Auditore da Firenze

Domingo, Agosto 25th, 2013

Poderia passar vários dias escrevendo sobre cada figurino presente em Assassin´s Creed, são muitos e cheios de detalhes interessantes. Mas resolvi fazer um paralelo entre o figurino de Ezio Auditore da Firenze, protagonista de maior parte da série, e a realidade do vestuário usado no período do renascimento, momento em que se passa a história do jogo.

O período do renascimento foi uma transição entre a idade média (teocêntrica) e a idade moderna (antropocêntrica). O homem deixou de acreditar em explicações exclusivamente religiosas para ter uma visão mais científica dos acontecimentos. A Itália, mais precisamente a região de Florença desenvolveu-se bastante devido ao grande crescimento urbano e comercial. Além de ter a família Médici, que faz uma participação no jogo, como grande patrocinadora das artes locais.

A princípio pensei que a roupa de Ezio nada tinha a ver com as vestes retratadas nas pinturas da época. Mas é possível ver alguns elementos em comum e é essa comparação que farei nesse post.

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Obviamente, o figurino de Ezio foi “atualizado” para o nosso padrão estético atual. Imagina nosso assassino pulando os prédios atrás de suas vítimas vestindo meias finas e coloridas que eram tão comuns na época.

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Basicamente, a indumentária de um nobre no período da renascença (lembrar que Ezio não era nenhum plebeu), consistia em um gibão, uma espécie de colete feito com tecidos caros que ficava, muitas vezes, por cima de uma camisa com mangas bufantes e amarrados na cintura. Usavam capa ou um casaco por cima e que ficava solto. O uso de chapéus também era bastante comum. Ainda havia uma bermuda que trazia alguns rasgos (talhadas) para que fosse possível ver o tecido do forro.  E, para completar, um code piece, uma espécie de tapa sexo, que era usado para ressaltar esta parte do corpo e guardar pequenos objetos como moedas.

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Olhando Ezio podemos ver a maioria desses elementos na sua indumentária. O colete ou gibão, amarrado na cintura por um grande cinto que ostenta o símbolo dos assassinos. Ele também usa uma capa, que no jogo lhe é dada pelo próprio Lorenzo de Médici. Tudo isso por cima de uma camisa com mangas soltas e bufantes por baixo. O capuz com um bico de águia, presente em todos os personagens assassinos, representa a visão e perspicácia que eles devem ter para alcançar suas presas mas, aqui, também faz o papel do chapéu. Ezio veste uma calça e não uma bermuda mas as talhadas são indicadas na sua manga esquerda e no corpo de seu colete.

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Achei o trabalho de figurino desse personagem muito bom, conseguiu reunir elementos presentes em uma época e fazer algo completamente não datado. É uma roupa linda! E o melhor é que em algumas sequencias ainda dá para brincar de trocar de cores, adquirindo nas lojas que estão espalhadas pelas cidades.