Games de luxo

Quinta-feira, Abril 3rd, 2014

Recentemente estive em Paris. Que cidade linda! Não é a toa que está entre as primeiras cidades mais visitadas em todo o mundo.
Cada canto da cidade parece cenário de cartão postal com sua maravilhosa arquitetura. É lá que está um dos prédios mais significativos da era medieval, a catedral de Notre-Dame de Paris, reconhecida como o arquétipo da arquitetura Gótica. O lindo Seine de Louvre, originalmente a residência real, e, hoje, o mais famoso museu do mundo. É emocionante ver de perto todas aquelas obras que só estudamos nos livros. Em seu jardim está a pirâmide do arquiteto Ming Pei que é motivo de controvérsia. Também podemos admirar o Arco do Triunfo, inspirado pelo Arco de Titus na Roma; e a Torre Eiffel, a torre de metal que serviu para a Exibição Mundial de Paris
imagens de Paris

Sem falar que Paris é o berço da moda!!!  Duas vezes ao ano acontece a semana de moda mais famosa .

As marcas mais luxuosas estão por lá. Minha amiga e produtora de moda, Marina Comini, escreveu em sua monografia de finalização de curso sobre o luxo e as marcas de luxo. Ela diz que “O luxo proporciona, desperta, a realizaçao de desejos inconscientes, experiências únicas, o intocável, não lógico e coerente; diz sobre seu pertencimento social, seu poder. A marca de luxo passa a ser importante tanto quanto os artigos oferecidos; se torna um patrimônio. E assim, o marketing de luxo se mostra parte integral na história de anos de uma marca, sendo fundamental comodidade, e o que mais lhe convir; como a ideia de ser especial, para assegurar aos consumidores, qualidade, tradição, segurança, conforto, comprador diferenciado, com características próprias, com maior poder financeiro, poder de sanar mais que necessidades, desejos; status.”

marcas de luxo

 

mas o que tudo isso tem a ver com games?

Vender um produto de luxo é vender experiências. Comercializar uma ideia de comportamento, de estilo de vida, de  símbolo de sucesso e poder representado pelo produto e, melhor ainda, pela marca desse produto. Por isso os clientes não se importam em pagar quantias exorbitantes.
Algumas marcas sabem da força que os games tem para despertar experiências, e usaram disso em campanhas publicitárias e criaram seus advergames.

A Prada vestiu os personagens de Final Fantasy XIII-2 com sua coleção na comemoração dos 25 anos da série.

prada final fantasy

 

A campanha publicitária da Louis Vuitton publicada em dezembro de 2013, trouxe as capinhas de celular compondo vários jogos clássicos. O vídeo é curtinho e vale a pena assistir 🙂

A Channel produziu em 2010 um advergame temporário para iphone, que denominou de Lovely Game.  Desenhado como uma Slot Machine (dessas de cassino), foi criada para ajudar os fãs da marca a descobrir os novíssimos lançamentos.

Chanel Lovely Game

Chanel Lovely Game

Dior também fez um vídeo onde sua linha de maquiagem se transforma em cenários e peças de jogos como Pong, Pac Man, Tetris entre outros.

 

O mundo da moda já está prestando bastante atenção aos games. E esses dois universos compõem grandes fatias da economia atual. Por que não unir forças? 😉

 

PS: O trabalho de Marina Comini, O luxo na moda: Seus valores sociais e psicológicos, está disponível para consulta na biblioteca da Escola de Belas Artes da UFMG.

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O que vestem os skatistas? (Skate 3)

Sábado, Março 8th, 2014

A roupa que escolhemos para usar no nosso dia-a dia traz alguns significados acerca da nossa personalidade, contexto social e cultural. Muitas vezes pode nos reconhecer como pertencentes a um grupo. É uma forma de nos identificarmos com o outro e continuar preservando nossa individualidade. Às vezes, basta olhar as roupas de uma pessoa para conseguir identificar a qual grupo pertence, que tipo de música ouve, o que gosta de fazer, onde frequenta…

Parece complicado, mas não é. O jogo Skate 3 (EA, 2010) vai nos ajudar a entender o processo. Na verdade, esse jogo traz outras conexões com o universo da moda e marketing; mas isso será assunto de outro post.

Cena de Skate 3 (EA, 2010)

Cena de Skate 3 (EA, 2010)

Até meu filho começar a andar de skate e mudar completamente seu estilo de vida, eu tinha pouco prestado atenção nesse grupo. Mas eles têm um jeito peculiar de se comportar e vestir que fez com que o guarda roupa do meu filho se transformasse da noite para o dia.

O novo estilo do meu filho.

O novo estilo do meu filho.

O skate nasceu na década de 60 na Califórnia, quando um grupo decidiu se divertir com pranchas nas ruas das cidades. Nos anos 70, foram inventadas as rodinhas de uretano por Frank Nashworth, que na época trabalhava em uma fábrica do material. E nessa mesma época, um grupo de garotos, os Z-boys, levaram as manobras do surf para as ruas revolucionando o esporte. Em 1977, houve o primeiro campeonato em pista aqui no Brasil. E, em 1979, Adam Gelfand inventou o Ollie, manobra que se tornou a base de muitas outras.

Z- Boys e o começo do estilo de estilo skatista.

Z- Boys e o começo do estilo de estilo skatista.

Na década de 80, Rodney Mullen criou uma série de manobras como o flip e o 360 flip. E, Tony Hawk se torna um profissional do esporte aos 14 anos; é considerado uma lenda na modalidade vertical. Os anos 90 foram marcados pelo surgimento do swichstance vertical, a partir daí o skate não tinha mais parte da frente ou de trás sendo tudo igual.

 Rodney Mullen

Rodney Mullen

alanolliegelfand

Alan Gelfand

aRT tony CRP hawk

Tony Hawk

De lá pra cá, o grupo de skatistas sempre se comportou e se vestiu de forma parecida, mas o estilo foi mudando com o tempo. Hoje, os identificamos por suas calças muito largas quase caindo, camisas de malha enormes, boné e um tipo de tênis específico. Só de vê-los já podemos supor as músicas que gostam de ouvir, onde gostam de estar e alguns dos seus hábitos. O mercado hoje possui várias marcas que se especializaram nesse estilo. Elas fazem seu marketing patrocinando alguns esportistas importantes.

Em skate 3, você pode experimentar um pouco desse universo. É possível escolher peças de roupas para seu avatar que combinem com esse estilo do grupo. Aqui vemos as roupas como identificador do sujeito como parte de um grupo, o de skatistas. Como jogador, você pode escolher as cores, marcas e modelos de roupas, o que torna seu avatar único dentro do grupo. Então, a moda atua, também, como diferenciação.

Skate 3

Skate 3

O legal do jogo, além de poder vestir seu personagem como quiser, é que é possível dividir a pista com grandes nomes desse esporte, e quem sabe, com muito treino, superá-los em manobras.

E o que sua roupa diz sobre você?

L.A. Noire e a moda da década de 40

Segunda-feira, Novembro 25th, 2013

Depois de dias escrevendo minha monografia e totalmente fora do ar, retorno com mais um jogo cujo figurino eu fiquei apaixonada: L.A. Noire.

la_noire

Há muito tempo eu havia jogado, mas não terminei e nesses dias de “folga” resolvi resgatar a história do detetive Cole e finalizar. Gostei de tudo, da história, dos gráficos, das partes de ações que são na medida certa pra mim, que não tenho muita habilidade com tiros.

L.A. Noire se passa em Hollywood pós Segunda Guerra Mundial, final da década de 40. Inspirado nas histórias de literatura noir e filmes do mesmo gênero tão em voga na época. Nessa época a sociedade havia sofrido grandes mudanças. Tudo era escasso; matéria prima, mão de obra. As mulheres foram incluídas no mercado de trabalho, já que a guerra exigiu que a mão de obra masculina fosse para os campos de guerra.

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Mulheres trabalhando na segunda guerra.

A moda dessa década se traduziu pela escassez de material, que obrigou o uso de tecidos alternativos, e cortes mais retos sem muitos detalhes e ostentação. Até a saia das senhoras foi encurtada para logo abaixo do joelho no intuito de economizar.

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Moda para as senhoras da década de 40.

Foi também nessa época que surgiu o read to wear ou pret a porter, que significa roupas prontas para usar. Até essa época se você queria uma roupa teria que mandar uma costureira fazer e isso ficava, como ainda fica, caro. Então surgiu a produção em massa de peças de roupa, que barateava o custo. Assim era possível comprar uma roupa pronta em uma loja ou encomendá-la por catálogo.

Mulheres no jogo com saias até abaixo do joelho e indo até uma loja de roupas.

Mulheres no jogo com saias até abaixo do joelho e indo até uma loja de roupas.

No entanto, alguns resolveram ir contra essa tendência moderada de vestir e provocaram os padrões estéticos vigentes. Foram eles, o New Look de Dior que ignorou a escassez de material e resolveu introduzir uma longa saia rodada que agradou a todas as madames da época, e fez com que a moda francesa voltasse a ter sua influência na América. E os negros e latinos que, influenciados pela cena musical do jazz, passaram a usar os Zoot Suits, que consistiam em casacos muito grandes e compridos, de ombros e lapelas largos e calças volumosas de cintura alta e muitas pregas que estreitavam no tornozelo, com cores fortes.

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New Look de Dior (1947) e o Zoot Suits

O acesso à lã era limitado, obrigando o uso de rayon ou viscose na fabricação de ternos, que era o mais retos possíveis, evitando bolsos com abas, pregas, punhos elaborados. No jogo, Cole começa a jornada com um terno bem básico mas à medida em que vai sendo promovido, seu vestuário passa a ser mais elaborado. Diz-se que por causa de Al Capone, o terno teve seu auge nesta década.

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Al Capone

Como aprendiz de alfaiate que sou, fiquei encantada com todos os costumes (como os ternos eram chamados) que apareceram no jogo. Os ternos consistem de calça, paletó e, algumas vezes, de colete. Um bom terno precisa ter um caimento perfeito. Para isso, o trabalho do alfaiate é muito minucioso, sendo grande parte do processo feito, ainda, à mão. E não posso me esquecer das gravatas e do chapéu fedora. Acessórios quase obrigatórios.

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Ternos usados pelas personagens de LA Noire (Rockstar 2011)

Com que roupa eu vou? GTA V

Quinta-feira, Outubro 17th, 2013

Quero me desculpar pela demora desse post novo, mas as semanas que se passaram foram de muito trabalho, pois aconteceram alguns eventos de moda aqui em Belo Horizonte.

Já que estão todos enlouquecidos com o novo GTA resolvi dar uma olhadinha no jogo para trazer para o blog. Confesso que não sou boa jogadora de GTA então as informações que estão aqui foram baseadas na observação do meu filho e meu irmão jogando e nas conversas com meu amigo Thiago Augusto.

GTA 5

GTA V, traz três personagens jogáveis e protagonistas da trama. Trevor Philips é um canadense, ex-piloto, que vive em um trailer num deserto americano, que adora ficar bêbado; vive somente pelo presente sem medo da morte, sem nada a perder (um personagem muito divertido, aliás). Parece ser daquelas pessoas que vestem a primeira coisa que vê pela frente e sai pra rua. Quase isso. Trevor se veste num estilo mais básico, calça jeans, blusa de malha e, as vezes, com camisa xadrez aberta por cima. Trajes comuns que o fazem parecer de qualquer lugar e de lugar nenhum, jeito confortável de se vestir, pronto para qualquer loucura que ele queira fazer.

Trevor GTA5

Franklin Clinton é um negro dos subúrbios dos EUA, faz alguns trabalhos para uma gang mas tem a pretensão de sair dessa vida. Essa vontade de mudança fica explícita até no modo como Franklin se veste, ele se destaca dos outros moradores do bairro por ter um estilo “rapper” menos carregado e mais próximo do estilo “branco americano” de se vestir.

franklin gta5

Michael De Santa já é um homem de meia idade e com certo “conforto” financeiro. Tem uma bela casa, uma bela mulher (mesmo que adúltera), e por isso mesmo tem um estilo menos casual.

Pelo que entendi até agora do jogo não dá para você ficar trocando o estilo de vestuário dos personagens apesar de conseguir trocar de roupas.

Mas não foi o estilo dos nossos protagonistas o que mais me chamou a atenção no jogo. Enquanto meu filho jogava, bem lá no início mesmo, Michael precisou ir roubar um joalheria. Meu filho estava com o personagem vestido de bermuda e todo a vontade, mas ele foi barrado. O homem, que comandava a operação pediu para que ele voltasse para casa e se vestisse de maneira mais elegante para poder passar por cliente da loja.

preparação para o assalto

E fiquei pensando que até mesmo no jogo temos uma “etiqueta” para nos vestirmos em determinadas situações.  Mas para que isso mesmo? Bom, em linhas gerais, esse modo de conduta permite distinguir facilmente uma pessoa e a ocasião em que ela se encontra através da roupa.

Quando alguém te convida para um baile de formatura e tem no convite traje esporte fino ou passeio, você sabe exatamente o que esperar da festa né? Ninguém pensou numa laje, pagode e churrasco com vinagrete (adoro churrasco com vinagrete!).

De fato, é possível, muitas vezes, identificar a classe social, a religião, conduta política, interesses e diversas outras características das pessoas ao observarmos seus guarda-roupas.  E que mensagem estará você passando aos outros?  Já pensou como vai sair de casa hoje?

personagens

Que Mário?

Domingo, Setembro 22nd, 2013

Alguns amigos me pediram para escrever sobre o personagem que, talvez seja o mais popular da história dos games, Mario. Confesso que, no início, a ideia não me atraiu muito, pois o figurino desse personagem foi construído baseando-se nas possibilidades técnicas da época.

evolução do mario

Muitos já devem saber que Mário foi criado por Shigeru Miyamoto, para o jogo Donkey Kong em 1981. Sua tarefa era resgatar a princesa sequestrada pelo grande gorila (já viu essa história em King Kong?).

donkey kong 1981

Na época havia poucos recursos tecnológicos para construir um personagem detalhado, então Miyamoto resolveu essa questão colocando um bigode e um nariz enormes, além de um boné. Assim não precisava se preocupar em fazer as feições do rosto nem os cabelos.  Para diferenciar os braços do resto do corpo ele criou um macacão vermelho com uma camisa azul por baixo.

mario 1981

A princesa Peach, ao meu ver, segue bem os moldes de princesas Disney. Com seu vestido rosa acinturado, ao estilo Maria Antonieta, destacando sua feminilidade e toda a doçura e bondade que uma princesa de contos de fada deve ter. Mas o seu figurino é um pouco mais elaborado que o de Mário. Se você fechar os olhos e imaginar uma princesa certamente vai acertar quase tudo que o figurino dessa personagem possui: mangas bufantes, luvas brancas até a altura dos cotovelos, panniers destacando a cintura, além de ostentar um grande broche azul e seus brincos que a revelam como parte de uma nobreza capaz de usar jóias.

peach              Princesa Peach

Mário e Peach repetem a velha história da donzela em perigo que precisa ser resgatada. Velha história que iniciou com o amor cortês e foi um marco do comportamento humano e consequentemente influenciou a moda.

O amor cortês emergiu com a poesia trovadoresca, e definiu um conceito de atitudes e mitos na época medieval, mas o termo somente foi usado pela primeira vez por Gaston Paris em um artigo escrito em 1883. Existe um homem que ama que se entrega de alma e corpo para garantir a segurança e os desejos da mulher, alvo desse intenso amor, vista como mais bela e perfeita que todas as outras mulheres do mundo. Geralmente esse amor não pode ser consumado por algum empecilho, que o herói deve, a todo custo, derrubar para ter a companhia de sua amada.

amor cortes

Mas o que isso influencia nos trajes da época? Tudo! Homens e mulheres tornaram suas vestes mais sofisticadas pois agora elas são elementos estéticos de sedução. É nesse momento que as pessoas compreendem a linguagem que as roupas podem ter. Muitos autores acreditam que foi exatamente nesse momento de diferenciação e individualização dos seres que a moda nasceu.

E é essa linguagem que vem sendo objeto de estudo meu e desse blog 😉

amor cortes 2

PS: se você também gostaria de sugerir um personagem para o blog, me envie um email: ribjuliana@gmail.com ou nos falamos no facebook. 😉

Fashion Fantasy – Virada Cultura BH 2013

Domingo, Setembro 15th, 2013

Ontem e hoje está acontecendo em Belo Horizonte a primeira Virada Cultural.

Eu (Juliana Ribeiro, estudante de Design de Moda na UFMG) e Rafael de Paula (estudante de Design Gráfico na UEMG) marcamos presença com uma exposição de figurinos inspiradas em alguns clássicos jogos de Atari.

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O tempo foi bem corrido… duas semanas para fazer tudo, mas o resultado ficou muito legal e valeu pela experiência de participar de uma exposição a céu aberto.

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Para essa exposição nos inspiramos nos jogos: River Raid,

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Frostbite (era viciada nesse jogo 😉 ),

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Boxing,

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e Enduro! (nunca consegui nem um troféu desse 😦  )

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A exposição ficará na Praça da Liberdade até hoje as 17 horas!

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Quero agradecer às pessoas que deram uma grande força: Caio Rodrigues, Alex Queiroz e Aline Voisk. Obrigada gente!!!

Elizabeth – Bioshock Infinite

Domingo, Setembro 1st, 2013

Bioschock Infinite é um jogo em primeira pessoa que se passa na cidade flutuante de Columbia. Nunca joguei nenhum outro da série mas fiquei completamente envolvida pelo complexo enredo deste aqui. É como aquela sessão de cinema que acaba mas você fica todo o trajeto de volta pra casa (e talvez nos dias que se seguem também) só pensando nas cenas na tentativa de apreender todas as informações e acontecimentos.

Columbia é uma cidade linda, com suas ruas impecavelmente limpas, seu sistema de transporte via Sky-lines e suas praças, embora por traz disso tudo estejam as relações fundamentadas no racismo e na superioridade do homem branco. Esteticamente falando o universo de Bioschock Infinite se assemelha à ficção especulativa do Steampunk.

cidade de columbia

O steampunk ficou conhecido no final dos anos 80 e início dos 90 (lembrar dos filmes “De Volta para o Futuro III”, “O Enigma da Pirâmide”, “Frankenstein de Mary Shelley”) porém sua origem é associada às obras do século XIX de Julio Verne, Mary Shelley entre outros. Geralmente a ficção steampunk se ambienta em épocas passadas como a era vitoriana (século XIX) mas com uma tecnologia mecânica e à vapor muito mais evoluída para o tempo. Nesse contexto seria possível existir, em pleno século XIX, dirigíveis voando pelos céus, um sistema de transporte a vapor que fosse conduzido por trilhos flutuantes, uma cidade inteira mantida no céu, um pássaro robô (Songbird) entre outras coisas possíveis de serem contempladas em Columbia.

Dentro de todo esse cenário está Elizabeth, peça (personagem) fundamental em torno da qual o jogo se desenvolve. Ela é a grande companheira do protagonista, Dewitt, ajudando-o nas horas mais difíceis e dialogando com ele durante todo o percurso. É através dela e suas infinitas questões que podemos entender um pouco sobre Dewitt e o enredo do jogo.

primeiro traje de elizabeth

Mas vamos ao que interessa, o figurino de Elizabeth! A costume designer, Claire Hummel o criou seguindo essa linha de raciocínio da ficção steampunk, baseando-se no guarda roupa da era vitoriana e pós eduardino, nos quais, as mulheres tinham suas cinturas finas e bem demarcadas pelo uso de espartilho (usado por baixo das roupas).  O tipo de tecido e decoração da veste variava de acordo com o status social da mulher.

sketch Elizabeth

Elizabeth aparece no jogo com dois figurinos diferentes. No primeiro ela está com uma saia azul (cor muito presente na era vitoriana) que marca bem sua fina cintura, com pregas presas por tiras de tecido com rebites de metal ao estilo steampunk. Sua camisa de botões, com gola azul e detalhes dourados revelam que Elizabeth não é uma garota de classe inferior, assim como, a expõe como mulher vulnerável e recatada que precisa ser protegida.

traje 1 de elizabeth

Quando Elizabeth resolve tomar uma postura mais atuante na trama para fugir de Columbia, ela muda seu figurino. O azul vitoriano ainda está presente, espartilho fica exposto deixando de lado o recato e, até seus sapatos agora, mostram uma situação de status superior (afinal toda essa vestimenta foi tirada do guarda-roupa da falecida primeira dama de Columbia).

segundo traje de elizabeth

Vale muito a pena jogar e se envolver nesse universo, não só pela beleza estética mas também pela fascinante história.

Ezio Auditore da Firenze

Domingo, Agosto 25th, 2013

Poderia passar vários dias escrevendo sobre cada figurino presente em Assassin´s Creed, são muitos e cheios de detalhes interessantes. Mas resolvi fazer um paralelo entre o figurino de Ezio Auditore da Firenze, protagonista de maior parte da série, e a realidade do vestuário usado no período do renascimento, momento em que se passa a história do jogo.

O período do renascimento foi uma transição entre a idade média (teocêntrica) e a idade moderna (antropocêntrica). O homem deixou de acreditar em explicações exclusivamente religiosas para ter uma visão mais científica dos acontecimentos. A Itália, mais precisamente a região de Florença desenvolveu-se bastante devido ao grande crescimento urbano e comercial. Além de ter a família Médici, que faz uma participação no jogo, como grande patrocinadora das artes locais.

A princípio pensei que a roupa de Ezio nada tinha a ver com as vestes retratadas nas pinturas da época. Mas é possível ver alguns elementos em comum e é essa comparação que farei nesse post.

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Obviamente, o figurino de Ezio foi “atualizado” para o nosso padrão estético atual. Imagina nosso assassino pulando os prédios atrás de suas vítimas vestindo meias finas e coloridas que eram tão comuns na época.

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Basicamente, a indumentária de um nobre no período da renascença (lembrar que Ezio não era nenhum plebeu), consistia em um gibão, uma espécie de colete feito com tecidos caros que ficava, muitas vezes, por cima de uma camisa com mangas bufantes e amarrados na cintura. Usavam capa ou um casaco por cima e que ficava solto. O uso de chapéus também era bastante comum. Ainda havia uma bermuda que trazia alguns rasgos (talhadas) para que fosse possível ver o tecido do forro.  E, para completar, um code piece, uma espécie de tapa sexo, que era usado para ressaltar esta parte do corpo e guardar pequenos objetos como moedas.

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Olhando Ezio podemos ver a maioria desses elementos na sua indumentária. O colete ou gibão, amarrado na cintura por um grande cinto que ostenta o símbolo dos assassinos. Ele também usa uma capa, que no jogo lhe é dada pelo próprio Lorenzo de Médici. Tudo isso por cima de uma camisa com mangas soltas e bufantes por baixo. O capuz com um bico de águia, presente em todos os personagens assassinos, representa a visão e perspicácia que eles devem ter para alcançar suas presas mas, aqui, também faz o papel do chapéu. Ezio veste uma calça e não uma bermuda mas as talhadas são indicadas na sua manga esquerda e no corpo de seu colete.

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Achei o trabalho de figurino desse personagem muito bom, conseguiu reunir elementos presentes em uma época e fazer algo completamente não datado. É uma roupa linda! E o melhor é que em algumas sequencias ainda dá para brincar de trocar de cores, adquirindo nas lojas que estão espalhadas pelas cidades.

CHUN LI

Sábado, Agosto 17th, 2013

Chun Li teve sua primeira aparição em Street Fighter II, famoso jogo de luta de 1991, que deu fama aos populares hadoukens, e aos personagens Ryu, Ken, Blanka, Dalshin, Sagat, entre tantos outros.

Seu background: uma agente da Interpol com o objetivo condutor de vingança pela morte do pai. A imagem dessa garota com seu figurino inspirado nos antigos Qipaos chineses mexeu com a imaginação dos garotos frequentadores de lojas de fliperamas na década de 90 e até hoje, principalmente em eventos de cosplay.

chun

O Qipao era originalmente um vestido reto e longo até os pés, mas com o tempo foi se modificando em um vestido mais justo ao corpo e com fendas laterais. A roupa dessa heroína é uma adaptação ainda mais ousada, mantendo a mesma ideia de decote dos vestidos chineses, porém com mangas bufantes e apenas tangas cobrindo as partes inferiores, permitindo uma intensa movimentação. Não é pra menos, Chun Li pode não ser a personagem mais forte mas com certeza é bem ágil.

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 E assim, a roupa permitia deixar sempre à mostra as pernas grossas e torneadas da personagem. Além disso, dependendo do movimento era possível ver uma parte de seu maiô ou, para muitos iludidos, sua calcinha, levando a um jogo de revela e esconde que deixava qualquer marmanjo maluco.

golpe chun li

As pernas de Chun Li eram mais escuras que o resto de seu corpo, então podemos supor que ela usava meias finas, certamente da marca Vivarina para poder passar por tantas lutas sem desfiar.

Mas longe de ser a femme fatale dos filmes noir, Chun Li aparentava até uma certa ingenuidade e fragilidade com seu cabelo adornado com um penteado infantil e lacinhos. E quem não se lembra do seu pulinho e risadinha infantil para comemorar a vitória?

 ChunLiVictory

E não era só aos meninos que Chun Li agradava, ela foi uma das personagens responsáveis por tirar a mulher do papel de quem sempre precisa ser resgatada para ser uma guerreira que luta sozinha pela conquista do seu objetivo.

Não sei como outras heroínas conseguem correr atrás de um vilão ou dar super golpes de salto. Eu mal consigo subir num ônibus. Mas, o criador da Chun Li teve o bom senso de calça-la com uma linda bota branca com um salto muito pequeno. Coincidentemente a Xuxa usava o mesmo tipo de bota, e para ser sincera eu também.

Só faltou, claro, o bracelete. É o único símbolo explícito de violência que Chun Li carrega. E coitada, aquilo deve pesar horrores, né? Podemos atribuir a inspiração ao exótico adereço à própria arte marcial do kung fu e as folclóricas armas imortalizadas em lendas e filmes. Olha o tamanho desproporcional, mas alguma coisa tem que ter para inibir os oponentes.

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